domingo, 16 de janeiro de 2011

Três vezes de baixo para cima

Vila Nova de Gaia, 14-01-2011






Ruínas

Vila Nova de Gaia, 14-01-2011









Qualquer semelhança entre estas fotos e Portugal, é pura coincidência.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Parabéns, Óscar!

Todos os monami's e relativos desejam e cantam sinceramente os parabéns ao Óscar e à No Feminino (que agora anda fugida do blogue).
ps: a minha prenda segue abaixo (meia dúzia de publicações no blogue)

Poema de Margarida Vale de Gato

DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES

Para aqueles que insistem em diluir
isto que escrevo aquilo que eu vivo
é mesmo assim, embora aluda aqui
a requintes que com rigor esquivo.

À língua deito lume, o que invoco
te chama e chama além de ti, mas versos
são uma disciplina que macera
o corpo e exaspera quanto toco.

Fazer poesia é árido cilício,
mesmo que ateie o sangue, apenas pus
se extrai, nem nunca pela escrita

um sólido balança, ou se levita.
Então sobre o poema, o artifício,
a borra baça, a mim a extrema luz.

Poema de Rui Lage

JOVEM MULHER NUMA CAPELA DE ALDEIA

Num banco junto à parede,
fértil e escura como terra lavrada,
os olhos adormecendo no incenso
que a tomava pela cintura
e lhe dava o cansaço
da madrugada.

Os cabelos negros enredando o frio
que vinha de fora
pela porta que alguém esquecera aberta
mostrando ao fundo o rio
e a laranjeira despida
pela geada.

Morte
em ambos os lados da porta
dando entrada
e súbito o dia
e depois
mais nada.

Poema de Filipa Leal

nos dias tristes não se fala de aves
liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.

nos dias tristes é inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento
e diz-se bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso

nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.

Poema de Catarina Nunes de Almeida

A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA

Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango -
um ténue resquício de feno escondido na nuca.

Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.

Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes -
ténues resquícios de feno escondido na nuca.

Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.

Poema de Fernando Gandra

Só hoje te escrevo este vestido
de palavras. Desculpa.
Oxalá que ao recebê-lo os pés
inchados das tuas ilusões inamovíveis
sosseguem junto à fonte.
A mãe, aqui ao lado, é uma sombra
do que pensas: repousa entre o frio
dos joelhos. A tua boina em ponto cruz
está pronta. O forno é bom e sem
enredo: sempre o mesmo.
A taça muito magra do silêncio
entra (ainda) pela janela.
Na varanda as zínias continuam razoáveis.

Pelo corrimão do tempo desce o gelo.
A tua ausência é uma casa muito espaçosa.
Responde-me na volta do sangue.

Beijos.

Sic transit gloria mundi

Pelo motivo que todos conhecem, o mundo do glamour está na espuma dos dias. Falo do glamour do mundo da moda, da TV, do espectáculo e da fama efémera. Julgo que antigamente nestas áreas do glamour tinha de ter-se um dom especial e trabalhar, trabalhar muito sobre essa inclinação para se ser conhecido. Agora é ao contrário: tem de se ser absolutamente conhecido para se poder trabalhar. Daí à cedência total é um passo de formiga.
Não deixa de ser triste, embora um sinal dos tempos, a toada fantasista que a televisão cria e uma série de produtores com pouco nível que percebendo o ainda mais baixo nível geral da população resolveram embrutecê-la de vez, esquecendo-se que para além desse embrutecimento, tal opção acarreta algumas consequências dramáticas e brutais a nível individual por parte de alguns «protagonistas». Também são responsáveis, não criminalmente, não materialmente, mas moralmente. Moralmente são eles os agentes e os autores morais dos crimes do «jet set».
Reparem: qualquer reality show é potenciador do pior da raça humana. E o pior da raça humana aquando da frustração individual pode descambar no assassinato.
O mundo da moda e do espectáculo embrulha em papel cor-de-rosa de revista semanal e comercializa em seguida com elevada rentabilidade para os mais espertos aquilo que nos outros sectores se esconde e é condenado. Afinal qual é diferença entre o assédio sexual, o consumo de drogas e a prestação de favores sexuais para obter contrapartidas profissionais numa qualquer universidade, fábrica têxtil ou hospital e no dito mundo da moda e do espectáculo? Nenhuma, porque acontece em todos, mas claro que numa fábrica ou lojeca tudo isso são problemas que há que combater e chagas sociais que há que denunciar, enquanto no tal mundo do glamour não há problemas propriamente ditos mas apenas zangas públicas, discussões, fotografias, e reconciliações entre os famosos.
Vejam o seguinte paradoxo: qualquer prestação de miúdos noutra área é trabalho infantil e cumpre perseguir, vituperar e penalizar. Neste mundo do glamour é uma oportunidade de carreira.
Um ralhete de um professor é caso para apresentar queixa por violência psicológica, quando não ir às fuças do prof. porque causaram traumas irreparáveis no futuro dos adolescentes. Aqui no mundo dos famosos, os jovens aceitam ser insultados e vilipendiados em directo como se fossem uma corja infra-humana, acham natural, tal como a família e respondem como os papás a lacrimejar: «obrigado, não vou desistir do meu sonho».
É muito perturbante a ingenuidade e a permissividade das famílias de crianças e jovens perante a sua entrada no «mundo da fama» onde o olhar erotizado sobre os mais novos é mais do que óbvio e onde frequentemente eles valem apenas pela cara e pelo corpo que têm, porque talento ainda não podem naturalmente ter.
Ainda há pouco contaram-me que perante a queixa de uma miúda de 14 ou 15 anos de que um avaliador de casting estava a assediá-la, a mãe não só minimizou o assunto como a esbofeteou publicamente. Só perante a repetição da cena com outras jovens, o referido «prospector de talentos» desapareceu de cena.
Se as famílias vissem as crianças e os jovens não como cumprindo um desejo frustrado deles próprios, mas sim pelos olhos dos adultos que com eles lidam acredito que a glamorização do mundo do espectáculo e da fama seria olhada com outros olhos e reduzida a sua dimensão, que é ínfima como devemos saber. E sobretudo transitória. Se os aspirantes a famosos soubessem o que estarão a fazer daqui a 10 anos... Sic transit gloria mundi

Vou votar em branco...

Julgo que nada adianta, mas vou protestar. Poderia desenhar um manguito no boletim, mas sou mau a EVT e por isso vou votar em branco.
Por duas razões já votaria:
Ambiciono um país em líderes.
A presidência é uma instituição arcaica e redundante, desnecessária e que só não acaba porque ninguém tem coragem de dizer que o presidente vai nu… e é tão inútil quanto cara, excepto naturalmente para alimentar e justificar a própria existência.

Por uma terceira razão, porque à excepção de Cavaco, todos os outros candidatos são erros de casting tão crassos e dolorosos que até dão pena.
Mas também não vou votar Cavaco pelo seguinte:
Foi ministro das Finanças quando eu tinha 17 anos. Vai sair da presidência quando eu tiver 53. Ele é a política do balofo, do faz que faz mas não faz. Do sim, não e nim. É sem dúvida a epítome de uma geração perdida.
Mais: é o símbolo de uma determinada forma de ser e de estar, de um estilo, de uma forma de fazer e deixar fazer as coisas que deu no país que 30 anos depois hoje somos. E o país tem exactamente os valores errados. A injustiça, o carreirismo, a corrupção, o triunfo do demérito, etc.
Quando primeiro-ministro esbanjou e deixou esbanjar dinheiro. Desperdiçou e deixou desperdiçar a maior oportunidade de desenvolvimento do País no século XX. E que nunca mais voltará.
Escolheu e determinou um modelo de económico que deixou obra de betão mas não formou pessoas, a nossa ética, a nossa cultura, uma nova forma de fazer. Falhou culturalmente porque errou nas opções. Optou pelo alcatrão quando devia ter optado pelos valores. Não infra-estruturou as cabeças. Não escolheu as sendas correctas. Foi o tempo dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas.
Preparou-se para politicamente ganhar sempre o poder e sempre que o via escapar, fugia. Foi egoísta e carreirista.
Alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme
que já conhecemos.
O Cavaco presidente não tem pensamento político, tem apenas um reportório de frases feitas consensuais porque ocas e vazias. Agarra-se ao cumprimento da Constituição para justificar a sua inoperância. Finge que detesta a política como se a política não fosse o seu ofício de sempre. Finge uma superioridade intelectual quando só vive para a sua agenda (neste caso a reeleição).
Mais uma vez a sua presidência foi uma oportunidade perdida. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que preocupava tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que pariram um rato e uma comunicação surrealista; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. É bota de elástico e refém de uma mentalidade ultrapassada. Tem falta de coragem política porque só está interessado na carreira pessoal. Não é estadista.
Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, só lugares comuns e mesmo assim contrários a tudo o que praticou quando foi primeiro-ministro.
Por último, apresenta-se para fazer mais cinco anos do mesmo. Reparem: não há uma ideia nova, uma cara nova, uma frase nova. Não tem chama, não tem imaginação, não tem rasto e está rodeado dos grupelhos de sempre. Vão ser mais cinco anos do mesmo.
Quando começou na política (e logo com a pasta das Finanças) eu tinha 17 anos e não podia votar. Quando sair da presidência eu terei 53 e já não me apetece votar. Este homem esfíngico, pouco natural, calculista, que foi o político profissional com mais tempo no activo para a nossa geração, continua a fingir que não é o principal responsável pelo estado em que estamos e continua a apresentar-se como alguém superior que paira por cima da política e dos restantes portugueses, como homem providencial. É preciso lata. Por isso não posso votar nele.
Eu ambiciono um país sem líderes. Porque os líderes são sempre isto…

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rússia é Europa ?

Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...
(Alberto Caeiro)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quem era este "anormal"?

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.

O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender de uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.

Este SENHOR era Manuel de Arriaga
e foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Elaine Morgan no TED e...

... Marial no monami6f!

Aqui fica, por via indirecta, a primeira publicação da Marial no nosso blog. Eu vi e gostei!

Quem preferir com legendas em Português pode seleccioná-las na parte inferior (view subtitles).


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O meu pirralho é judeu ó quê?

Já que estou numa onda famílio-confessional, e como o pai mais babado, vou dar conta de um mail que o meu filho mais novo me enviou em Novembro e que teve a devida (e parentalmente ruinosa) resposta.
Sem nada me dizer, chega-me esta mensagem que transcrevo ipsis verbis. Aliás um dos meus grandes lamentos é que não tomo nota das inúmeras coisas com piada que dizem e sendo a minha memória o que é...
Mas aqui vai:
"Pai, quero ganhar dinheiro.Fazendo tarefas em casa.Tipo, varrer o chão,dar de comer á gata ,sei lá coisas desse tipo. Aguardo a tua resposta no meu GNAIL."
Corrigi-lhe a ortografia, fiz-lhe uma lista de tarefas com preço e desde então perdi mais de 40 aérios.
Tem os seus oito anos e rais me partam se o nome dele do meio não é Champalimão...