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sábado, 11 de dezembro de 2010

Consumo imediato....

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Serve esta história para ilustrar aquilo que penso acerca do (estúpido) frenesim em que vivemos, bem exemplificado, aliás, na reacção da maioria dos leitores do blogue perante publicações que exijam mais que 2 ou 3 minutos de atenção:

Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio cinco volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de uns anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas dois volumes; mas o rei, continuando ocupado e já sem paciência para ler livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo uns anos, e o sábio, velho e enfraquecido, trouxe um único e fino volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio, de súbito inspirado na vida do próprio Rei, deu-lhe a história da humanidade numa única linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.


“A Servidão Humana”, Somerset Maughm (Adaptação livre)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A beleza...

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"A beleza poderá ser
o que não tem a ver com a aparência,
mas, sim,
o que numa pessoa
vem sinalizar a sua capacidade
de se deixar olhar
e mergulhar em transparência."

Eduardo Prado Coelho

sábado, 19 de junho de 2010

Ainda Saramago...

"Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pensamento do dia...

"Se estamos mesmo destinados a seguir o caminho dos gregos, então comecemos por envenenar Sócrates."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

...



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«Usa a capacidade que tens. A floresta ficaria mais silenciosa se só o melhor pássaro cantasse»

Henry Dyke

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pontos de vista...


Porto, Ribeira, 23/12/08

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o «tudo» que ficou para trás e o «nada» que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa – como, de resto, em qualquer confronto de opiniões – é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.

Haruki Murakami

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A vida e o tempo



A expressão “tempo é dinheiro” tornou-se aceitável, mas na verdade não é. A obsessão pelo tempo enche-nos o dia no acto de contar, medir, pesar e reduzir valores não quantificáveis a outros que o sejam. Tudo o que parece calculável, rigoroso ou científico, de facto raramente o é, mas repercute-se num progressivo abandono do humano, limita a vida em largura e empobrece algo que, por natureza, não é renovável.

Sem compreendermos e defendermos que a vida própria é, em si, uma ocupação, uma tarefa que ninguém pode fazer por nós, não logramos sequer alcançar a liberdade de a viver, bem ou mal.

Protágoras

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Competição...


Imagem daqui
Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta.
Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas sulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória de uma ideia de paz sobre uma ideia de guerra.

Agostinho da Silva

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

POBRES DOS NOSSOS RICOS

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)

MIA COUTO

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pensamento do dia...

Os problemas do nosso país são essencialmente agrícolas: excesso de nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.

Autor desconhecido

terça-feira, 28 de abril de 2009

A crise segundo Einstein


"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Einstein

quarta-feira, 22 de abril de 2009

What am I doin' in Casablanca?

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"Sabem como é? Pegar com as duas mãos no globo que imagino em cima da secretária. Fazê-lo rodar para trás, fingindo que custa muito, muito mesmo. Como Deus, brincando ao sétimo dia. Fazendo a Terra rodar 40 anos para trás e depois parar ali. Exactamente ali. E ficar. Muito tempo, até que a Terra, ela mesma, por si, recomeçasse, lenta, preguiçosa, o rame-rame que lhe coube na distribuição das coisas pelo Universo. E surpreender-me a mim próprio quando exclamo: «what am I doin' in Casablanca, man?»."

jmf

sábado, 18 de abril de 2009

Ainda o apanhamos!

Imagem daqui

Fim de tarde em Lisboa. Finais do século XIX. João da Ega diz para Carlos da Maia, enquanto esperam o transporte e recordam os acontecimentos que Eça de Queiroz narra com pena de Mestre no romance Os Maias:- Falhámos a vida, menino.

Entretanto, os dois amigos, distraídos, perdem o transporte de que estavam à espera. Apercebendo-se disso, perseguem-no em correria enquanto gritam

- Ainda o apanhamos!


No fim de tarde lisboeta, os dois amigos são bem o símbolo de um país que falha persistentemente o Futuro mas que constantemente o persegue.

Odete Santos

terça-feira, 17 de março de 2009

A arte do diálogo

Praia da Aguda, 15/3/2009

A conversa não é só uma fuga para o interno monólogo do contraponto, onde se experimenta a união livre com o interlocutor e o afastamento dele. É também a recondução deste ser novo que nos descobrimos, à posição de diálogo inicial que, sendo a mesma, é já tão outra!

Eugénia de Vasconcellos

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O hábito

Serra da Freita, 24/1/2009

“O hábito é o balastro que prende o cão ao seu vómito. Respirar é um hábito. A vida é um hábito. Ou melhor, a vida é uma sucessão de hábitos, porque o indivíduo é uma sucessão de indivíduos. Hábito é pois o termo genérico para os inúmeros contratos celebrados entre os inúmeros sujeitos que constituem o indivíduo e os seus inúmeros objectos correlativos. Os períodos de transição que separam as consecutivas adaptações representam as zonas perigosas na vida do indivíduo, perigosas, penosas, misteriosas e férteis, em que, por um momento, o tédio de viver é substituído pelo sofrimento de ser.”

Samuel Beckett