O segundo na linha de comando da rede terrorista
Al-
Qaeda,
Ayman al-
Zawahiri, criticou ontem o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e afirmou que “um legado de falhas e crimes” o aguarda na Casa Branca. Num vídeo de 11 minutos divulgado pela
internet,
Zawahiri comparou repetidamente Obama com o muçulmano
Malcolm X, activista negro americano assassinado em 1965.
“Você (Obama) representa
directamente o oposto de negros americanos
honoráveis como
Malik al-
Shabazz (
Malcolm X)”, afirmou
Zawahiri. “Você nasceu de um pai muçulmano, mas escolheu tomar a posição dos inimigos dos muçulmanos e rezar as preces dos judeus”, declarou, enquanto era exibida uma imagem de Obama no Muro das Lamentações, em Israel.
No vídeo divulgado ontem
Zawahiri disse ainda que, assim como Obama, o ex-secretário de Estado
Colin Powell e sua sucessora no cargo,
Condoleezza Rice, confirmam a definição de “negros domésticos”. O termo era utilizado com
frequência por
Malcolm X para se referir a negros
subservientes aos interesses dos brancos. (Notícia completa
aqui).
Esta declaração demonstra o grande impacto que a eleição de Obama teve no mundo. É nada mais que um esforço no sentido de reforçar o sentimento de hostilidade dos islâmicos relativamente aos americanos.
O que
Zawahiri não compreende, porque não pode (e não quer) compreender, é que foram também os negros (numa esmagadora maioria) que
contribuíram para a eleição do actual presidente e que Obama representa, de uma certa forma, a unificação do povo americano em torno de um ideal comum.
Obama não agrada (não pode agradar!) aos radicalistas e extremistas. Mas, no seu país, reduziu-os à sua verdadeira insignificância. A
Al-
Qaeda já percebeu o risco que ele representa para o movimento em termos de apoio popular. Por isso reage. Esperemos que, apesar de tantos inimigos, o novo presidente consiga (
re)construir as pontes do diálogo e da concórdia entre os povos.