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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Nobel da Paz


Confesso que fiquei um tanto confuso de sentimentos ante a atribuição deste Nobel da Paz. Se por um lado simpatizo fortemente com a personalidade em questão, também é verdade que o prémio atribuído não deixa de ser um tanto ou quanto precoce. De um ponto de vista optimista o Nobel foi atribuído a uma ideia mobilizadora em torno da paz, do diálogo e da defesa do ambiente. Se quisermos ver a questão de um lado mais céptico e pessimista então poderemos simplesmente concluir que estamos perante o Nobel do marketing e da publicidade. Pessoalmente, tendo a ser optimista por natureza mas só o futuro irá demonstrar quem tem a razão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Eu estou contra...

Esta coisa dos unanimismos provoca em mim o contrismo. Eu nasci do contra e vou morrer do contra. Por isso não li «A insustentável leveza do ser» nem o «Nome da Rosa» não vi «A Guerra das Estrelas», nem esses filmes do Peter Jackson cujos nomes não recordo. Por isso não tenho partido, clube ou religião.
Por isso, afirmo e atesto desde já estou contra a Obamania, esta coisa do ontem fomos todos americanos. Eu nunca fui americano e sobretudo ontem também não com aquela pirosada para TV transmitir e papalvo ver achando que ali está alguma solução. Uma prosápia deslambida da audacity of hope. Hope em quê, podem explicar-me sem ser com um chorrilho de lugares comuns? Reparem hoje foram suspensos os julgamentos em Guantánamo. Suspensos? E então que fazem aos arguidos durante os 120 dias? Libertam-nos? Mantêm-nos presos mais 120 dias? Vai ser este o tom desta administração: empurrar todos os dossiers com a barriga...
Aposto que ninguém sabe quem foi o 38º presidente dos Estados Unidos e não sabem distinguir essa política da de Carter, Clinton ou Reagan.
Todos os patós adoram figuras messiânicas e então se vierem vestidas de «common man» que lutou contra tudo e com um discurso oco que agrada a todos, tanto melhor...
Talvez os mais obamistas não saibam que ganhou duas eleições a nível estadual só porque a hipocrisia americana quanto às virtudes morais dos candidatos não tem paralelo nos últimos 30 séculos. Um dos adversários de Obama, de longe à frente nas sondagens e unanimemente tido por mais capaz, foi pura e simplesmente afastado por ter envolvido a própria mulher numas brincadeiras sexuais.
Mas aposto que os obamistas já têm engatilhadas todas as desculpas para os fracassos, marasmos e mais do mesmo que aí vem. Vejamos:
- Calma, o homem ainda só lá está há oito meses.
- É preciso dar tempo. Estes problemas não se resolvem em dois anos.
- Não se pode fazer tudo de repente.
- É preciso mais do que um mandato.
- Nos segundos 4 anos, é que vai ser.
- Vão ver, a partir de agora é que é.
- As contas fazem-se no fim dos oito anos.
- Ele bem tentou, mas sozinho não conseguia nada.
- Os outros é que não deixaram, etc. etc.

Depois do que foi o século XX, ver milhões de pessoas a ver, a dizer e a sentir o sentem em relação a uma pessoa, que arvoram em salvador de várias pátrias não cessa de me causar espanto.

E em face disto tenho que voltar a Einstein: «Só há duas coisas infinitas no Universo: o Espaço e a Estupidez Humana. E sobre a primeira tenho dúvidas...»

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Uma janela de esperança



Cerca de um milhão e meio de pessoas são esperadas, hoje, em Washington, na cerimónia de investidura de Barack Obama que vai tornar-se o primeiro presidente negro da história dos EUA.

Aquando da cerimónia de tomada de posse de Bush, do seu primeiro mandato, senti assim um friozinho premonitório no estômago. O que se seguiu toda a gente (infelizmente) conhece. Hoje, um pouco por todo o mundo, perpassa uma lufada de optimismo. Obama não é um novo Messias, mas não há dúvida que abriu uma janela de esperança ao mundo. Saibamos todos aproveitar a boa onda...
I hope we can!

domingo, 8 de junho de 2008

"YES WE CAN!" (DO WHAT?...)

O fenómeno Obama é verdadeiramente fascinante. Lentamente, fui sendo seduzido pela onda de entusiasmo que se espalhou rapidamente pelo mundo. Os seus discursos são absolutamente electrizantes! O carisma não deixa ninguém indiferente.
Os EUA é o país dos contrastes: se por um lado desperta um sentimento de ressentimento (e inveja!) pela arrogância, prepotência e desrespeito com que trata os seus parceiros mundiais, não deixa de ser verdade que tem uma capacidade única de surpreender. Obama é o último exemplo.
As eleições nos EUA têm talvez maiores implicações na nossa vida do que as que ocorrem no próprio país de origem. Mas, este facto indesmentível não justifica, por si só, todo o interesse que o candidato democrata tem suscitado nos quatro cantos do planeta. É a sua forma de estar na política, a sua força, a ruptura com os interesses instalados que motivam este entusiasmo global. Pressente-se uma saída para o empasse da política mundial contemporânea.
Esta vaga de entusiasmo também me contagiou. Todavia, há uma certa resistência semi-consciente (talvez fruto da minha formação) que me faz ficar de "pé atrás". E se tudo não passa de um embuste? Afinal quais são as políticas alternativas?
A História ensinou-nos que é um erro colossal deificar os políticos dirigentes das nações. Mas será que não vale a pena arriscar e "ir a jogo"? (Até parece que sou eleitor americano!...) Vou continuar bastante atento...