Esta coisa dos unanimismos provoca em mim o contrismo. Eu nasci do contra e vou morrer do contra. Por isso não li «A insustentável leveza do ser» nem o «Nome da Rosa» não vi «A Guerra das Estrelas», nem esses filmes do Peter Jackson cujos nomes não recordo. Por isso não tenho partido, clube ou religião.
Por isso, afirmo e atesto desde já estou contra a Obamania, esta coisa do ontem fomos todos americanos. Eu nunca fui americano e sobretudo ontem também não com aquela pirosada para TV transmitir e papalvo ver achando que ali está alguma solução. Uma prosápia deslambida da audacity of hope. Hope em quê, podem explicar-me sem ser com um chorrilho de lugares comuns? Reparem hoje foram suspensos os julgamentos em Guantánamo. Suspensos? E então que fazem aos arguidos durante os 120 dias? Libertam-nos? Mantêm-nos presos mais 120 dias? Vai ser este o tom desta administração: empurrar todos os dossiers com a barriga...
Aposto que ninguém sabe quem foi o 38º presidente dos Estados Unidos e não sabem distinguir essa política da de Carter, Clinton ou Reagan.
Todos os patós adoram figuras messiânicas e então se vierem vestidas de «common man» que lutou contra tudo e com um discurso oco que agrada a todos, tanto melhor...
Talvez os mais obamistas não saibam que ganhou duas eleições a nível estadual só porque a hipocrisia americana quanto às virtudes morais dos candidatos não tem paralelo nos últimos 30 séculos. Um dos adversários de Obama, de longe à frente nas sondagens e unanimemente tido por mais capaz, foi pura e simplesmente afastado por ter envolvido a própria mulher numas brincadeiras sexuais.
Mas aposto que os obamistas já têm engatilhadas todas as desculpas para os fracassos, marasmos e mais do mesmo que aí vem. Vejamos:
- Calma, o homem ainda só lá está há oito meses.
- É preciso dar tempo. Estes problemas não se resolvem em dois anos.
- Não se pode fazer tudo de repente.
- É preciso mais do que um mandato.
- Nos segundos 4 anos, é que vai ser.
- Vão ver, a partir de agora é que é.
- As contas fazem-se no fim dos oito anos.
- Ele bem tentou, mas sozinho não conseguia nada.
- Os outros é que não deixaram, etc. etc.
Depois do que foi o século XX, ver milhões de pessoas a ver, a dizer e a sentir o sentem em relação a uma pessoa, que arvoram em salvador de várias pátrias não cessa de me causar espanto.
E em face disto tenho que voltar a Einstein: «Só há duas coisas infinitas no Universo: o Espaço e a Estupidez Humana. E sobre a primeira tenho dúvidas...»