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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Jorge Luís Borges entre duas pataniscas de bacalhau...

Em jeito de acta atrasada - já que a última tertúlia teve lugar na passada sexta-feira -, e como ninguém resolveu fazê-la , aqui fica um poema de Jorge Luís Borges cujos (de)méritos foram tema principal de uma conversa acalorada entre as pataniscas e o arroz de feijão.

Sim, eu sei que já publiquei este poema no blogue há algum tempo atrás. Mas como não tenho um conhecimento muito aprofundado da sua obra, e como o acho de uma beleza e uma verdade absolutamente arrasadoras, volta a trazê-lo por cá (na esperança que desta vez seja alvo de uma maior atenção por parte dos leitores...).


Pescador, Afurada (22/10/2010)



Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

Jorge Luís Borges

sábado, 25 de setembro de 2010

Blue Rondo A la Turk



Acta da ultima reunião-24/09/10-Porto, Ribeira.
Desta vez a acta vai em em video. Este tema do Dave Brubeck resume toda a nossa noite. Prestem bem atenção à exposição do tema em sax pelo Vital, pergunta e resposta, a energia ritmica de todo o tema e aquele solo de sax mais bluesy quando já andavamos pelo Alentejo. O nome do tema foi a surpresa da noite, e diz tudo o resto...
E tudo em nome do Al.

sábado, 29 de maio de 2010

Receita para uma noite feliz

Um fim de tarde.
Uma última sexta-feira do mês.
Uma Gazela.
Um Ribatejo.
Um punhado de Monamis6f.
Uma cidade (pode ser o Porto).
Um Manoel de Oliveira.
Um teatro de S. João.

Coloca-se um punhado de Monamis6f a marinar durante uma semana em desejo de encontro frugal qb.
Enquanto se aguarda pela marinada, deixa-se fervilhar a cidade em antecipação a Junho.
Aguarda-se a chegada junto ao S.João na expectativa de um cachorro no Gazela.
Entretanto um Monami6f mais desenfreado pelo desejo escapula-se por entre a multidão de sequiosos e esfomeados e penetra sorrateiramente na gazela, aplicando furtivas mas certeiras dentadas em cachorro, batata frita na hora, finito preto seguido de finito branco.
A multidão não arredando pé do seu direito ao cachorro, obriga o penetra a sair, um pouco envergonhado pela sua atitude egoísta. Baixa, para este o fogo do desejo.
Junta-se no exterior aos estupefactos e incrédulos companheiros de viagem, que se interrogam sobre o seu destino, enquanto aparece Manoel de Oliveira nos seus 102 anos, como se nada fosse, e entra no S. João.
A brisa fresca do fim de tarde, conduz ao momento de criação digno de um chef de cuisine encaminhando o pequeno punhado de Monamis6f para o Ribatejo, uns metros à frente, na direcção da ponte, pela Rua Alexandre Herculano; entrando pela sala dentro, abrindo portas, e como diria a Mafalda César Machado desembocamos numa agradável esplanada coberta por uma ramada de vinha cujas folhas comprovam os seus muitos anos de vida, entre verdes protegidos por biombos de cana. Resultado: um ambiente fresco, recatado e muito agradável. Mesas de boa dimensão, cadeiras confortáveis e serviço eficaz.

O resultado:

Pimentos padron

Alheira

Petinga

Vitela mendinha assada, batata pequenina assada, vegetais, arroz de forno

Miminhos (doce fabuloso)

Quinta do Valado 2008

6 Monamis6f satisfeitos

Desejo de voltar.

sábado, 1 de maio de 2010

Conta-me histórias da Grécia

30 de Abril de 2010.
21 horas.
Aterramos na Grécia, em plena crise económica como não há história.
O ambiente era diferente.
As pessoas eram diferentes.
Não muito diferentes.
No ar, uma mistura de agradáveis aromas de especiarias, ervas e exotismos vários.
Entre nós, a conversa desenvolvia-se como de habitual, com altos e nunca baixos, despreocupada e sem filtros, polémica QB, agradável até à 1 hora da madrugada.
O que se comeu e bebeu, comeu-se e bebeu-se.
Ponto final.
Todos gostaram, foram presenteados com a promessa da felicidade do trevo de quatro folhas.
Levantamos voo com diferentes rumos, assistindo mesmo a uma saída eléctrica/económica/ecológica de um dos elementos presentes.
Ficou provado mais uma vez que o monami6f é uma ideia digna de um Óscar.







sábado, 5 de setembro de 2009

Bota Barqueiro

A jeito de redimir a falta colectiva da última sexta-feira de Agosto, serviu a pretexto a primeira sexta-feira de Setembro.
Fim de tarde calmo e agradável.
Isabel (imparável no magnífico vestido azul escuro metálico em folhos horizontais tipo escama de peixe, sandália de dedo creme, corpo bronzeado, uma simpatia):
bota uma mesa cá fora para quatro
bota finos
bota torradinhas
-sinto o ângulo diferente
bota azeitonas em azeite com pimenta vermelha
-há festa?
-a Lia faz 27 anos.Toca violino.Voa Lia.
-este toca flauta
bota queijo camembert flamejado
-a tua máquina tem controle da profundidade de campo?
bota finos
ao lado, vão chegando os convidados da Lia
bota cinzeiro
chega a Lia bronzeada, linda, vestido brilhante, justo, a fazer imaginar uma forma perfeita, sandálias a condizer, a alegria das redondezas
bota polvo em molho verde
-fui de férias
bota pataniscas
-magoei-me no joelho
bota finos
-estive nos Açores e mergulhamos
bota sardinhas pequenas fritas em farinha de milho
-vim de férias
bota tripas à moda de feijoada
-vou de férias
bota tripinhas enfarinhadas com rojões miniatura
-não vem mais ninguém?
bota finos
-gostei muito das tuas fotografias
bota iscas de fígado de cebolada
-O meu ângulo está na mesma
bota finos
bota cafés
bota a conta
vamos na vazante?

sábado, 27 de junho de 2009

Tasca Boavista: sem futuro!

Desta vez seguimos a sugestão do Labrosca e metemos pela Rua do Viso direitos à Tasca Boavista. Logo à entrada, porta fechada ao público o que augurava grande futuro à mesa. Infelizmente, não se concretizou. A tripinha enfarinhada estava mole, fria e esbranquiçada (onde é que eu já vi isto?), a orelha era demasiado gorda e o resto do prato misto cogumelado não apresentava iguarias de se tirar o chapéu. Salvaram-se as iscas, mas também não merecem nova visita. As sobremesas eram todas artificiais, tendo-se optado pelo queijo com marmelada. Também não deixou saudades. 9 aérios foi a conta.

Agora o que eu quero dizer é que à chegada apenas vi, além do mencionado Labrosca, o sempre presente e alerta Óscar e o ausente blogueiro Deibaidei.
Quero por isso alertar toda a gente que lê este blogue que o Al Prazolam, o Hagarrakiman, o Fernandinho, o Paulinho, Arnaldinho e o Tullius cheiram mal da boca, são conós, têm piolhos, andam metidos com o Tono da Reboleira (à vez) e do que mais gostam sei eu... (e agora vocês)

sábado, 30 de maio de 2009

O monami6f foi ouver Paulo Gomes e Fátima Serro

Porto, 29/5/09

Mais uma tertúlia, mais uma noite gloriosa. O jantar foi na Adega Casa das Sogras (oops!..), numa esplanadazinha voltada para o Jardim da Cordoaria, sob um cenário esplendoroso de fim-de-tarde de Verão. A ementa foi mais uma viagem pelo que de bom se (ainda) faz na cozinha portuguesa, regada por vinhos das mais diversas regiões demarcadas do nosso país (patrocínio Vital e JP). Mas a parte supra da noite passou-se no Bar Clube Literário (à Alfandega). Guiados pelo Deibaidei, fomos lá encontrar o surpreendente som do casal Paulo Gomes (piano) / Fátima Serro (voz). Para mim foi uma enorme surpresa ver tamanha qualidade ali, ao virar da esquina, num bar com um ambiente familiar, sem consumos mínimos (ufa!), nem preços exagerados. Um bom reportório interpretado por uma voz afinadíssima e segura, com um timbre de uma beleza incomum. Houve ainda lugar a improvisos vocais de grande qualidade e a momentos em que o piano replicou ao mesmo nível. Muito bom!

Para além de tudo isto são pessoas de uma enorme simpatia e simplicidade com quem conversámos animadamente ao longo do serão.

Foi verdadeiramente uma noite de Summertime em que a vida is easy!

Tentei encontrar alguma música do casal para publicar. Infelizmente só encontrei esta (como é possível?). Serve, no entanto, de exemplo...

With F.Serro & J.Arguelles (JUST AUDIO)




ACTA ?

domingo, 29 de março de 2009

Taberna dos Barqueiros: small is beautiful!


A imagem é daqui


O monami6f esteve lá e.... gostou!

Um espaço pequeno e aconchegado onde nos sentimos em casa. A comida é do melhor que há (mesmo tendo em conta a nossa vasta experiência na matéria...)! Pratos típicos, servidos em simpáticos tachinhos e frigideiras a intervalos regulares (num timing perfeito!).
Comemos: bucho, pataniscas, polvo (mais tenro é impossível!), moelas, orelha, rojões e tripas enfarinhadas, carapauzinhos, pimentos padron (um must!), e fígado de cebolada. No final, os mais corajosos (leia-se gulosos) ainda atacaram umas papas de sarrabulho e morangos com chantilli!
Tudo belissimamente confeccionado pela simpática Isabel (uma jovem da nossa idade) e acompanhado por vinhos que percorreram quase todas as regiões portuguesas demarcadas....
Tudo isto pela incrível quantia de 10 euros!!! Como é possível?

Parece-me que no próximo mês estamos todos condenados a fazer umas piscinas extra sob pena de deixarmos de caber nas calças!...

Um verdadeiro pequeno paraíso gastronómico, esta Taberna dos Barqueiros mesmo em frente à Alfândega do Porto!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Ontem, estivemos no Bar-Restaurante Galeria de Paris


Oito monamis estiveram presentes na tertúlia. O espaço é muuuito interessante! Amplo, com decoração original e uma ambiência muito acolhedora fruto de uma excelente iluminação, da simpatia das funcionárias e dos próprios clientes: gente maioritariamente jovem e muito diversa no estilo e na nacionalidade.
A selecção musical é de bom gosto e, surpresa agradável, não perturba a conversa (que foi de resto muito animada!). Pequenas velas dispersas nas mesas reflectem a luz nos copos de cerveja (da melhor qualidade!) e nos rostos das pessoas. A madeira da sala, omnipresente, absorve o ruído de fundo e dá ao ambiente um conforto singular.
À porta, é colocado um grande guarda-sol (chuva!) onde os fumadores podem apreciar mais confortavelmente os seus cigarros.


O jantar foi também do nosso agrado. Pessoalmente, apreciei em especial o queijo com cebolinho, servido nas entradas, e o arroz de tomate que acompanhou as pataniscas de bacalhau. O café foi servido em chávenas sem pires, um toque de originalidade que se enquadra perfeitamente no ambiente informal do espaço.

Por volta das onze e tal fomos beber um copo ao Bar Casa do Livro. A apreciação não foi tão positiva. À entrada, deparámo-nos com o sempre desagradável cartão de consumo mínimo; o ambiente era menos interessante e menos cosmopolita; a sala para fumadores estava insuportável de fumo e de ruído. Enfim, foi uma desilusão!

Uma última nota para a animação da rua: surpreendente tendo em conta a época do ano, as condições meteorológicas e aquilo que é a tradição da noite portuense.

sábado, 29 de novembro de 2008

Casa Matos: o império do arroz de grelos!

O último encontro foi bastante concorrido. Dez esfomeados atacaram sem dó orelha grelhada com alho e coentros, choquinhos em caril, lulas recheadas com alheira, pataniscas de polvo, mão-de-vaca com feijão vermelho, moelas e carapauzinhos em escabeche. Tudo acompanhado com o esplendoroso arroz-de-grelos (o melhor arroz da galáxia!) e bem regado com o tinto da casa, um vinho alentejano da região de Pias a € 3.5 a garrafa (!!!) capaz de se bater com outros cinco vezes mais caros.
Um lugar como este, onde se come divinamente e se paga muito pouco, existe mesmo! É em Salreu (Estarreja). E ainda por cima prima pela limpeza e pela simpatia do dono e dos empregados!
Pois é. Como é tão bom, repetimos a dose e voltámos ao "lugar do crime" um mês após a última tertúlia.

A conversa versou essencialmente três temas: o blogue, vinhos e fotografia. Como sempre, aprendemos qualquer coisa nestes encontros. Fiquei por exemplo a saber que a tendência actual é para os vinhos serem cada vez mais semelhantes uns aos outros por culpa de senhores como Robert Parker e da tão badalada globalização.
Família, política e actualidade, com a avaliação dos professores à cabeça, foram também assuntos versados durante o jantar.

O próximo encontro será a 19 de Dezembro. Desta vez vamos atacar para os lados do Porto. Os petiscos que se cuidem!

sábado, 1 de novembro de 2008

Acta de Sexta-feira, 31 Outubro 2008
Era um no Alex.
Respirava o ar da brisa marinha que a noite torna mais intenso.
Eram dois no Alex.
O frio apertava os estômagos já vazios a desejarem alimento.
Eram 20 horas e estavam três no Alex.
Mais cumprimentos, mais um carioca de limão para a sossega.
Eram quatro no Alex.
Vai um suminho de limão que a constipação não espera.
Mais cumprimentos e abraços, e quantos filhos já tens, e o teu carro é maior que o meu, e três vezes nove vinte e sete, vamos mas é andando para Estarreja.
Lá fomos, noite fora, no desenrolar da conversa que entre amigos nunca se esgota o tema.
Trezentas e trinta e três curvas adiante, e lá chegamos à Junta de Freguesia de Salreu, pagas tu e como eu?
Vinte passos abaixo e pela pequena entrada lá entramos no Restaurante Casa M...
Confesso que me veio à cabeça o tema "Old Folks" tantas vezes rodado no vinilo com Dusko Goykovich, Ferdinand Powel, Tete Montoliu, Joe Nay e Robert Langereis.
Entramos com a vontade de confirmar o que já prometia a primeira impressão da entrada.
Duas pequenas salas acolhedoras, decoração equilibrada, sóbria e de bom gosto.
Limpeza fabulosa.
Empregados e patrão do melhor.
Sentados, atiramos um olhar fulminante a que as mãos não resistiram a provar uma broa frita em azeite de se lhe tirar o chapéu (se o tivessemos).
Apenas comemos arroz de grelos com pimentos e ervas aromáticas (excessivamente bom).
Orelha de porco grelhada com ervas finas (ligação perfeita com o dito cujo).
Lulas recheadas com alheira.
Pataniscas de bacalhau e de polvo.
Feijoadazinha.
Moelas.
Vinho
da casa (excepto para o simpático condutor) , de um local pura e simplesmente mágico: Pias-Alentejo.
Doces porque estamos a ficar magros.
Cafés para aguentar o regresso ao Alex.
Preço igualmente simpático.
Vim a pensar com os meus botões, como é possível existir um restaurante deste nível neste local ???
Venham mais monamis6f com sugestões destas, porque, como dizia a canção "o que faz falta é animar a malta"