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segunda-feira, 14 de março de 2011

O Homem, uma réstea de esperança na incerteza do dia a dia

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.

(Fernando Pessoa)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Frei Agostinho da Cruz

AO TRISTE ESTADO

Passa por esse vale a Primavera,
As aves cantam, plantas enverdecem,
As flores pelo campo aparecem,
O mais alto do louro abraça a hera;

Abranda o mar; menor tributo espera
Dos rios, que mais brandamente descem;
Os dias mais fermosos amanhecem;
Não para mim, que sou quem dantes era.

Espanta-me o porvir, temo o passado;
A mágoa choro de um, de outro a lembrança,
Sem ter já que esperar, nem que perder.

Mal se pode mudar tão triste estado;
Pois para bem não pode haver mudança,
E para maior mal não pode ser.



domingo, 19 de julho de 2009

Fico sempre bem disposto quando...

...ouço ao longe uma filarmónica que se aproxima.
Toquem bem ou mal - se possível bem - é sempre uma alegria.
Lembra-me sempre o meu avô materno, que fazia parte da banda "Alba". O meu avô paterno também tocou, mas já não foi no meu tempo. Contudo guardo religiosamente uma foto velhinha, já sépia, onde ele está com a banda (com contra-baixo e tudo!).

E os corêtos (escreve-se assim?) no meio das praças...

Em muitos lugares, estas bandas eram pequenos oásis no deserto musical e sociocultural.
Para muito boa gente, era o único meio de aprenderem música, mesmo que por vezes algo rudimentar.
Para além disso, valia pela alegria, pelo convívio.

Salvo erro, foi com o Óscar, ou com o primo dele que, numas férias em Caminha, ouvimos uma boa versão de um excerto da "1812". Há (Ah) que tempos!


Seguem-se dois youtubinhos fraquitos mas alegres:






sexta-feira, 17 de julho de 2009

nada de interessante



(Cá p’ra nós que ninguém nos ouve)
Não há nada melhor do que ouvir o suave marulhar do mar quando as ondas se espreguiçam e se coçam na areia, para cima para baixo, vão e vêm, vão e vêm, vão e vêm...
E não dizem mais nada.
Que bom.

Hoje queria ter asas ou molhar os pés na praia e ter uma conversa frívola com o senhor "Umapedra"