sábado, 13 de junho de 2009

Partido Liberal

Alguém quer fundar comigo o Partido Liberal?

Jasad, leia uma, tenha uma, reivindique uma



O mundo árabe também a sua revista erótica, provando que mesmo no meio do conservadorismo, obscurantismo e repressão, shines a light. A censura é enorme, a ideia ousada, o teor considerado subversivo, mas a coragem da poeta libanesa Joumana Haddad é maior. Chama-se Jasad, (Corpo). É trimestral. Lançada em Dezembro, esgotou em menos de 10 dias. Isto não significa nada?
Aborda com arte e inteligência, dizem, «as ciências do corpo, na sua dimensão erótica, social, estética, anti-estética, antropológica e linguística».
Por cá temos a Maria e a Playboy. Significativo.
Mas há sempre uma inibidora proibição: os redactores estão proibidos de usar pseudónimos.

História do vinil


Dedicado ao Labrosca.

Depois da edição do livro de capas de discos de jazz seleccionadas pelo português Joaquim Paulo, a Taschen volta a surpreender com uma excelente edição vocacionada para a preservação da memória dos discos de vinil. Mas não são quaisquer vinis. São aquelas rodelas com formas, cores e formatos invulgares e que fizeram história.

Visto aqui

Irão: o caldeirão da desilusão...

O actual presidente iraniano, Ahmadinejad, mantém a liderança nas eleições realizadas ontem. Terá 65,2% dos votos com 77% das urnas apuradas.
O candidato independente e ex-primeiro-ministro iraniano Moussavi é o segundo colocado com 31,8% da preferência dos eleitores. O chefe de campanha de Ahmadinejad afirmou que os votos já apurados dissipam "qualquer dúvida" sobre a vitória do actual presidente.
Contudo, Moussavi deixa antever a existência de fraude e irregularidades, reservando-se para o fim do apuramento dos resultados para se pronunciar, mas julga que está a ganhar.
Os resultados finais devem ser validados pelo Conselho de Guardiães, antes de serem oficiais. Se forem confirmados, o ultraconservador Ahmadinejad será reeleito alcançando uma arrasadora vitória.
Em suma, os dois cantam vitória, cheira a chapelada eleitoral, e seria bem melhor para o mundo - essa entidade aborrecedora - que o moderado Moussavi tivesse vencido.
Não tenham dúvidas, o Irão serão o caldeirão da próxima década. Da desilusão. Esperemos que não da deflagração.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Bach, nunca é demais

ÁFRICA dentro de nós ?

Lura

The Puppini sisters

Directamente do Óscar Júnior para o monami6f:

CR7 --> CR94000000

CRI$I$ WHAT CRI$I$?



Bidu Sayão canta Villa-Lobos, Bachiana nº 5

Uma preciosidade melódica do maior compositor brasileiro (ao lado de Jobim e Buarque) pela melhor soprano brasileira de todos os tempos. Também podem ouvir Victoria de Los Angeles ou versões mais recentes. Mas há coisas que dificilmente melhoram com o tempo. Mas não perguntem ao Vinho do Porto...




Como é? Só eu é que vou trabalhar hoje?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Elisabeth Bishop, grande poeta

One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

Elizabeth Bishop (1911-1079)


Com uma vida aventurosa e interessante (muito me espanta que ainda não tenha dado filme), os poemas da americana Elisabeth Bishop mal escondem as suas dificuldades como mulher, como lésbica, como órfã, como viajante sem raízes, ou asmática frequentemente hospitalizada, sofrendo de depressão e por vezes alcoolismo. Era uma grande poeta.

"Não estou interessada num trabalho em larga escala, há algo que não necessita de ser grande para ser bom».
É uma grande poeta.

Mário Viegas grita a Cena do Ódio, de Almada

Mário Viegas fazia falta neste blogue e faz falta a Portugal.
Nada como um genial diseur perante uma obra como a Cena do Ódio, de mestre Almada.

Lara Li, Maio 09, Leça da Palmeira



[Gosto tanto de ti, Lara Li - Maio'09, Leça da Palmeira]

No outro dia fui ao B Flat. Já esteve na cave (com um ambiente basfond que lhe assentava como uma luva) perto da Câmara Municipal de Matosinhos. Depois, durante algum tempo, mudou-se para junto da fonte luminosa, num local em que se perdia completamente a mística do espaço, com uma acústica de bradar aos céus.
Neste momento, o B Flat está nas Docas do Porto de Leixões, em Leça da Palmeira e regressou a umas instalações condignas para um projecto com a qualidade que apresenta. Continua a contar com a imagem da casa - a unique Tila e o músico António Ferro (obrigado pelas bebidas) - esbanjando simpatia e semeando a vontade de voltar.

Pois bem, fui ao B Flat ver a Lara Li.

A primeira parte do espectáculo foi muito jazzística, com Ricardo Diz e AP a dar, entre outras, composições como Feeling like my favourite things - uma mistura de Nirvana com My favourite things, do Música no Coração. Também gostei da interpretação do tema Vera Cruz, parecendo-me ouvir Elis Regina a cantá-lo enquanto os dois o "instrumentavam"!

A segunda parte era o mais esperado momento da noite. Lara Li percorreu maioritariamente a música portuguesa e aventurou-se até (e bem!) num Besame Mucho e, em homenagem ao sítio jazzístico em que nos encontrávamos, num Misty fabuloso!

A dicção da Lara Li continua impecável - não são muitas as cantoras que têm o dom de cantar cada sílaba de modo a que se a entenda. A elegância, no porte e na atitude, continua a ser a marca registada da cantora. A simpatia, escondida atrás de uma timidez que espreita aqui e ali (como será possível!), (con)vence qualquer um. Lara Li continua a ser uma diva. É pena não termos acesso a mais trabalhos seus publicados...

Miguel Braga que acompanha Lara Li, sendo já difícil deixar de os associar, esteve magnífico na condução do piano.
Acho que, como lhe disse no final, me apaixonei por ela quando cantava para dentro Telepatia todos os dias. Nessa altura fizemos uma viagem a Cinfães de bicicleta, lembram-se?
A penúltima canção (foi muito bom ouvir Telepatia, Quimera do Ouro, Eu gosto tanto de ti, Jura, Secreta Passagem,...) é, para mim, o "must" da cantora - ouvi-la cantar este Barco Negro, batendo com os dedos no microfone, na televisão há uns anos foi marcante. E agora adorei "ouvê-la", a um metro de mim, a repetir a proeza.

Aqui fica o registo em vídeo e algures na minha alma, também!








Barco negro.
Música: Caco Velho, Piratini Letra: David Mourão-Ferreira

De manhã, temendo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
Claro que para os mais esquecidos não podia deixar de publicar: