domingo, 26 de setembro de 2010

Words: a vida em instantes

Esta curta metragem dirigida por Daniel Mercadante e Will Hoffman sugere um fantástico jogo de associação de significados e sentidos construídos a partir de palavras simples implícitas no próprio filme. É sobretudo fascinante a fluidez com que a narrativa nos vai sendo apresentada em três minutos de pura inspiração.

Dedicado ao AL.

6 comentários:

Anónimo disse...

O que eu queria mesmo era que fosse possível carregar no botão da direita (rew), em vez do botão do centro (play), e puxar a "fita da vida" uns quantos dias atrás...

Marial

Óscar disse...

Como eu te entendo!..

Hagarraky disse...

Neste momento premimos avidamente a tecla "rec"-ordações.

F disse...

Não é a morte. As estrelas vão-se para reapareceram noutra margem. E, cintilantes na coroa ornamentada do céu, brilham até à eternidade.

Não é a morte. Nas florestas as folhas dão vida ao ar diáfano. As rochas desorganizam-se de modo a alimentarem o manto esfomeado de musgo que as cobre.

Não é a morte. A poeira que calcamos transformar-se-á, sob as chuvas de verão, em grãos dourados ou fruta madura de flores pinceladas de arco-íris.

Não é a morte. As folhas cairão, as flores desvanecer-se-ão, irão embora. Mas esperam apenas que, após as horas invernais, surja o hálito quente e doce de Maio.

Não é a morte. Apesar de chorarmos quando belas formas familiares, que aprendemos a amar, são arrancadas dos nossos braços acolhedores.

Apesar do coração se nos curvar e doer e, de vestes escuras e passos silenciosos, deitarmos a dormir a sua poeira inerte, dizendo que estão mortos…

Não estão mortos. Passaram apenas através da névoa que aqui nos cega, para uma vida nova e maior na serena esfera.

Apenas deixaram cair o seu manto de barro para se trajarem de brilho. Não andam longe, não estão perdidos nem desaparecidos.

Apesar de invisíveis aos nossos olhos mortais, cá permanecem e amam-nos ainda. Jamais esquecerão os entes queridos que deixaram para trás.

Às vezes, quando febris, sentimos o seu toque, um sopro de bálsamo. A nossa alma vê-os, o nosso coração reconforta-se com a sua presença.

É verdade. Para sempre perto de nós, apesar de invisíveis, vagueiam os nossos queridos espíritos imortais. Pois todo o ilimitado universo é vida – os mortos não existem.


Autor: Anónimo

F disse...

Li-o, o mês passado na missa do funeral de um amigo que nos (me) deixou, também demasiado cedo.

Óscar disse...

Muito belo, sem dúvida!