terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dia de Outono

Surgiu espontâneo e fluente da boca de um velho amigo enquanto juntos recordávamos o magnífico espectáculo do cair lento e suave das folhas num (outro) inesquecível passeio de Outono pela Mata de Albergaria (Gerês):


Senhor: é tempo. Foi muito grande o verão.
Nos relógios de sol estira as tuas sombras,
deixa que pelo prado os ventos vão.

Manda aos últimos frutos a espessura,
dá-lhes do sul ainda mais dois dias,
força a plenitude neles, vê se envias
ao vinho forte a última doçura.

Quem não tem casa agora, já não constrói nenhuma,
quem agora está só, vai ficar só, sombrio,
perder o sono, ler, escrever cartas a fio,
e a um ir e vir inquieto nas áleas se acostuma,
vagueando enquanto as folhas lá vão num rodopio.

Rainer Maria Rilke, traduzido por Vasco Graça Moura e citado pelo grande Alexandre

3 comentários:

Labrosca disse...

Bonito.

F disse...

Lindo.

Hagarra disse...

É... quer dizer... não me dou muito bem com poesia... mas não é mau... mas tenho algumas duvidas sobre alguns ditos neste poema... ok!