segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Gedda para a Sophia






Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta

Continuará o jardim, o céu e o mar,

E como hoje igualmente hão-de bailar

As quatro estações à minha volta


Outros em Abril passarão no pomar

Em que eu tantas vezes passei,

Haverá longos poentes sobre o mar,

Outros amarão as coisas que eu amei.


Será o mesmo brilho a mesma festa,

Será o mesmo jardim à minha porta.

E os cabelos doirados da floresta,

Como se eu não estivesse morta.


Sophia de Mello Breyner Andresen
Dia do Mar, 1947

2 comentários:

Labrosca disse...

Belíssimo post.
Nada mais a comentar.

PG disse...

Excelente.