terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Portugal visto de fora


Que isto esta mal, está! Que, como o Vital refere, se vão enterrar mais 500 milhões de euros pagos por todos nós no BPN - e que isso é um atentado à inteligência -, parece-me que também é verdade. Que os candidatos a presidente são tão excitantes como uma avozinha a fazer streap-tease, não tenho dúvidas! No entanto... é curioso que os vários estrangeiros que por cá vivem, e que tenho o prazer de conhecer, não têm assim uma visão tão pessimista do país.´Esta ideia sobre Portugal é bem patente nas palavras do embaixador britânico Alexander Wykeham Elli transmitidas na sua mensagem de Natal aos portugueses:

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
9:55 Segunda feira, 20 de Dezembro de 2010

1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.

8 comentários:

Vital disse...

És um optimista. Mas não será por causa dos optimistas que estamos assim?

Marial disse...

UM (simples) SORRISO...

“Um sorriso custa pouco, mas rende muito.
Não empobrece quem o dá e enriquece quem o recebe.
Dura só um instante mas perdura para sempre na lembrança.
Ninguém é tão rico que possa viver sem ele e ninguém é tão pobre que o não possa oferecer a todos.
É sinal externo de amizade profunda.
Um sorriso alivia o cansaço, retempera as forças, é conforto na tristeza.
Um sorriso tem valor desde o momento em que se dá.
Se pensas que um sorriso não vale nada para ti, sê generoso e dá o teu, porque ninguém precisa tanto do sorriso como aquele que não sabe sorrir...”

Embora o texto não seja meu... identifico-me imenso com ele... e procuro tê-lo presente no meu dia-a-dia... pois entendo ser essencial (em particular nos tempos que correm) que saibamos rir de nós próprios e sorrir uns com os outros!

Assim, com um enorme sorriso, desejo a todos os “monami6f” (e demais seguidores deste blogue) um Feliz Natal e um excelente 2011...

Óscar disse...

Não confundas optimistas com trapaceiros!

Óscar disse...

É bela a tua prenda, Marial!

Hagarra disse...

Por termos tantas coisas boas, (aliás, muitas além destas) é que a responsabilidade criminal deveria ser imputada a esses trapaceiros disfarçados de optimistas que, lá do alto, se divertem com "o tiro aos pombos". E seria bom que isso acontecesse antes de acertarem no que nos resta...

Hagarra disse...

Mas... que todos mantenhamos um sorriso...

F disse...

Há coisas boas que resultam de coisas menos boas. Importante é o reconhecimento de que são boas e trabalhar isso.
Enfim, mas isso seria outra conversa para outra altura que não esta e é bom ouvir (ler) coisas assim ditas por quem não é português.
Um abraço e um Feliz Natal para os Mesami!

Óscar disse...

(F)eliz Natal também para para ti!