sábado, 10 de julho de 2010

Eu sou do tempo...

Eu sou do tempo da televisão a preto e branco
Do Simca, do Morris, do Marina
Eu sou do tempo do Elvis
Dos Beatles, Jimmy Hendrix e Janis Joplin...
Eu sou do tempo da camisa de vénus ser novidade
De Duda, Oliveira e Gomes
Eu sou do tempo de Fittipaldi, James Stewart e Niki Lauda
Eu sou do tempo do beijo na boca demorado na discoteca
Das festas de garagem
Do dançar slows nas garagens
Eu sou do tempo em que se dava lugar aos mais velhos e a idade era um posto
Eu sou do tempo do Propedêutico
Eu sou do tempo do Almirante Pinheiro de Azevedo
Das cervejas a 10 escudos
Do SG Ventil a 16 escudos
Do Negritas, Definitivos e Provisórios
De fumar mata-ratos
Eu sou do tempo de organizar festas em casa
Eu sou do tempo dos Yes, Genesis e Emerson, Lake and Palmer
Eu sou de todo o tempo, mas eu gostava daqueles velhos tempos...
Eu sou do tempo das primeiras ganzas...
Não existia a cocaína, ecstasy, nem drogas sintéticas...
Embalávamos ao som dos Pink Floyd e muita Cuba Libre (ou Gin Tónico, conforme os gostos)...
Eu sou do tempo onde não havia SCUTS
Eu sou do tempo onda não havia SIDA
No máximo, um esquentamento
Eu sou do tempo em que 500 paus era uma festa
Eu sou do tempo em que mil escudos dava para pagar bebidas aos amigos toda a noite
Eu sou do tempo em que ao domingo a gente ia à missa.
Em que o adultério era crime.
Eu sou do tempo de não ter carro.
Eu sou do tempo de demorar uma eternidade a fazer 15 KM de autocarro.
Do São João do alho-porro.
Do refrigerante Fruto Real.
Eu sou do tempo em que só podia ver, beijar ou apalpar
Quem concretizava era um rei.
Eu sou do tempo da Playboy provocar frisson...
Sou do tempo em que o telefone era todo preto e tinha um disco com números.
Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas
Eu sou dum tempo em que se confiava nas agências de viagens
Tinha mesmo de se ir fisicamente à agência de viagens
Sou do tempo em que a penicilina curava todas as doenças venéreas
Sou do tempo da Rádio.
Dos programas de autor.
Tempo em que pó era o mesmo que poeira.
Eu sou do tempo das calças à boca de sino
Das Levi's, das Wrangler, das Lois.
Eu sou do tempo do PREC
Do Fernando Balsinha
Das manifestações e das RGA's
Do tempo de respeito pelos pais
Sou do tempo da brilhantina
O gel não existia
O Correio não era Azul
Um telegrama era mau sinal
Eu sou do tempo em que só as Mulheres usavam brincos
As portas ficavam só nos trincos
Sou do tempo em que não havia coca-cola nem hamburgueres
Eu sou do tempo que não havia Pizza Hut, mas caldo verde
Aceitava-se um cigarro meio fumado do amigo
Todos os preços eram baratos.
Sou do tempo do tergal, do terilene
Eu sou do tempo do Paulo de Carvalho
Eu sou do tempo do Comissário Maigret e dos Pequenos Vagabundos
Eu sou do tempo em que nos apaixonávamos pelas primas
Eu sou do tempo que que jurávamos morrer por amor
Queríamos mudar o mundo e esse era o tema das festas
Eu sou do tempo das cowboyadas e do Steve McQueen
Eu sou do tempo do tempo do restaurador Olex e da Woolmark (que me provocou este post)
Eu sou do tempo em que se ia ver quem eram os Korgis
Eu sou do tempo do óleo de fígado de bacalhau.
Sou do tempo das festas de coreto e de banda
Sou do tempo da estricnina
Em que gostávamos era da menina
Em que o futebol não era tão omnipresente
Em que ligávamos mais à gente
Eu só do tempo em que não havia computadores
Não havia net
O máximo era um calculadora e... sabe Deus
Eu sou do tempo em que havia escudos brancos e negros
Cinco tostões era dinheiro
Quase não havia bordéis
Mas casas de consumição
A comida era prato cheio de arroz e batata
Os shots eram tiros de caçadeira
Eu sou do tempo do Aspro
Eu sou do tempo do porno no cinema à meia-noite
Eu sou do tempo da magia, do pó de perlimpimpim
Coleccionei a caderneta de 73/74 e o mais difícil era o Sardinha
Eu sou do tempo do Pavão morrer em campo
Eu sou do tempo de tomar fortificantes
Dos contos da Carochinha
Sou do tempo dos clubes de vídeo
Se demorasse a devolver, pagava multa
Sou do tempo do único telefone móvel era... mudar de casa
As cabines telefónicas eram um must e ambicionávamos pelas inglesas encarnadinhas
Sou do tempo dos bálsamos, das feiras, dos almanaques, dos livros do Super-Homem e Homem-Aranha
Sou do tempo dos tops
Valia a pena tirar um curso de dactilografia (ainda me dá jeito)
Eu sou do tempo em que só havia dois canais (mas muito tempo livre)
Havia um refrigerante chamado Crush
Todas as fotos tinham de ser reveladas
A câmara de filmar pesava três quilos
Gravávamos músicas directamente da rádio
Os discos eram de vinil e o plástico amassava-se dentro da capa
Não havia shoppings
Não havia engarrafamentos
Eu sou do tempo da auto-estrada só chegar aos Carvalhos
A única tatuagem era feita pelo veterinário no matadouro
Sou do tempo do cubo de Rubik
Do Strob
Da bola de espelhos
Do ioió ser para totós
De haver festas com multas
De raras mulheres conduzirem
De haver menos acidentes
Eu sou do tempo dos pen-friends
Do Totobola ser um must
Das figurinhas «Amor é…»
Eu sou do tempo das Sanjo
Do leite chocolatado Vigor
Entra na sala de aula e cantar o Hino Nacional
Da groselha ser um melhoramento
Das aulas de Educação e Moral
Do Toffee Crispy
Do Espaço 1999
Dos Marretas
Do Tubarão
Do Caçador
Sou do tempo do 25 de Abril
Eu sou do tempo das revoluções
Eu sou do tempo de ter memória
Sou do tempo em que o trigo se separava do joio
EU SOU DO TEMPO, NÃO DA TERRA!
E quem perdeu tudo isto?
É que eu sou do tempo em que já se dizia: eu sou...

3 comentários:

Pedro Éme disse...

Eu sou do tempo em que se mandava um cartãozinho de agradecimentos, no dia seguinte.
Sou dum tempo que se mistura com... (sou do tempo de só tratar por tu os amigos, irmãos ou primos e os colegas de colégio...) Portanto, como dizia, sou de um tempo que se mistura, que se cruza com o SEU...
sou do tempo da Alice Cruz e da Maria Margarida, do Pirolito Bilas...
sou do tempo em que os pais podiam ir para o trabalho e as mães para o rendez-vous descansados porque o resto da sociedade (Professores, Motoristas de autocarros Verdes, Velhinhos...)se encarregavam de não deixar descarrilar a educação dada em casa.
Sou do tempo do postal dos CTT e da cartinha na volta do correio.
Sou do tempo do 'por favor' e do 'muito obrigado'.
Sou do tempo em que minha Mãe era a 'senhora dona' e eu era o 'menino'.
Sou do tempo do 'É do Quando o telefone toca? Posso dizer a frase? Posso pedir o disco?'. Sou do tempo dos Inspectores Patilhas e Ventoinha. Sou do tempo da Menina do Alto da Serra; da Nadia Comaneci, da Farrah Fawcett, da Linda Carter... da Victoria Principal e da Barbara Bel Geddes...
Sou do tempo do xixi/cama cantado pelos 'Meninos Rabinos, mas muito asseados, a cara e os dentes lavados...'
Também tive um 'sofisticadíssimo' transistor vermelho...

Sou do tempo em que, como blogger, cumprimento e agradeço uma postagem como esta sua.

MUITO OBRIGADO! Foi um franco prazer ser reconduzido ao um Passado, que é meu, e que se cruzou algures com o seu.

Sou, ainda, do tempo do:
Bem-haja!

Um Abraço!

Hagarraky disse...

Eu sou do tempo... de tudo isto! Há post vitais que vitalizam as gentes. E este é seguramente um deles.

Labrosca disse...

Ó Vital, afinal és tão velho como eu.
Vivam os marretas!