sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Anne Sexton

ANNE SEXTON (Newton, 1928 – Weston, 1974) foi uma notável poetisa americana conhecida principalmente pela sua poesia de forte pendor confessional, através da qual abordou temas invulgares como a depressão, de que padecia, e as suas próprias tendências suicidas, bem como assuntos igualmente pouco frequentes na poesia americana à altura como a biologia intíma da mulher. Sexton venceu o Pulitzer em 1967. Tal como Sylvia Plath, foi aluna de Robert Lowell, um mestre da poesia confessional. Suicidou-se a 4 de Outubro de 1974, após um almoço com a sua amiga Maxine Kumin, onde estivera a rever o seu manuscrito The Awful Rowing Toward God, que viria a ser publicado em Março do ano seguinte. Regressando a casa, vestiu o casaco de peles da mãe e fechou-se na garagem com o automóvel ligado.

Eis um poema de Anne Sexton.



IN CELEBRATION OF MY UTERUS

Everyone in me is a bird.
I am beating all my wings.
They wanted to cut you out
but they will not.
They said you were immeasurably empty
but you are not.
They said you were sick unto dying
but they were wrong.
You are singing like a school girl.
You are not torn.

Sweet weight,
in celebration of the woman I am
and of the soul of the woman I am
and of the central creature and its delight
I sing for you. I dare to live.
Hello, spirit. Hello, cup.
Fasten, cover. Cover that does contain.
Hello to the soil of the fields.
Welcome, roots.

Each cell has a life.
There is enough here to please a nation.
It is enough that the populace own these goods.
Any person, any commonwealth would say of it,
“It is good this year that we may plant again
and think forward to a harvest.
A blight had been forecast and has been cast out.”
Many women are singing together of this:
one is in a shoe factory cursing the machine,
one is at the aquarium tending a seal,
one is dull at the wheel of her Ford,
one is at the toll gate collecting,
one is tying the cord of a calf in Arizona,
one is straddling a cello in Russia,
one is shifting pots on the stove in Egypt,
one is painting her bedroom walls moon color,
one is dying but remembering a breakfast,
one is stretching on her mat in Thailand,
one is wiping the ass of her child,
one is staring out the window of a train
in the middle of Wyoming and one is
anywhere and some are everywhere and all
seem to be singing, although some can not
sing a note.

Sweet weight,
in celebration of the woman I am
let me carry a ten-foot scarf,
let me drum for the nineteen-year-olds,
let me carry bowls for the offering
(if that is my part).
Let me study the cardiovascular tissue,
let me examine the angular distance of meteors,
let me suck on the stems of flowers
(if that is my part).
Let me make certain tribal figures
(if that is my part).
For this thing the body needs
let me sing
for the supper,
for the kissing,
for the correct
yes.


§


CELEBRANDO O MEU ÚTERO

Tudo em mim é um pássaro.
Estou a bater todas as minhas asas.
Queriam extirpar-te
mas não o farão.
Diziam que estavas incomensuravelmente vazio
mas não estás.
Diziam que estavas doente prestes a morrer
mas estavam enganados.
Cantas como uma colegial
Tu não estás desfeito.




Doce peso,
em celebração da mulher que sou
e da alma da mulher que sou
e da criatura central e do seu deleite
canto para ti. Ouso viver.
Olá, espírito. Olá, taça.
Aperta, cobre. Cobre que contém.
Olá ao solo dos campos.
Bem-vindas, raízes.




Cada célula tem uma vida.
Há aqui bastantes para satisfazer uma nação.
Chega que a populaça possua estes bens.
Qualquer pessoa, qualquer grupo diria:
"Está tudo tão bem este ano que podemos plantar de novo
e pensar noutra colheita.
Uma praga tinha sido prevista e foi eliminada".
Por isso muitas mulheres cantam em uníssono:
uma está numa fábrica de calçado amaldiçoando a máquina,
uma está no aquário cuidando duma foca,
uma está aborrecida ao volante do seu FORD,
uma está a cobrar na portagem,
uma está no Arizona a enlaçar um bezerro,
uma está na Rússia com uma perna de cada lado do violoncelo,
uma está a mexer em tachos num fogão no Egipto,
uma está a pintar as paredes do quarto da cor da lua,
uma está a morrer mas a recordar um pequeno-almoço,
uma está na Tailândia a espreguiçar-se na sua esteira,
uma está a limpar o rabo do seu filho,
uma está a olhar pela janela do comboio,
no meio do Wyomming e uma está
em qualquer lado e algumas estão em todo o lado e todas
parecem estar a cantar, embora algumas
não saibam cantar uma nota sequer.




Doce peso
em celebração da mulher que sou
deixa-me levar uma lenço de três metros,
deixa-me tocar o tambor pelas que têm dezanove anos,
deixa-me levar taças para oferecer
(se for esse o meu papel).
deixa-me estudar o tecido cardiovascular,
deixa-me calcular a distância angular dos meteoros,
deixa-me chupar o caule das flores
(se for esse o meu papel).
Deixa-me imitar certas figuras tribais
(se for esse o meu papel).
Pois para isso de que o corpo precisa,
deixa-me cantar
para a ceia,
para o beijar,
para o correcto
sim.

2 comentários:

Óscar disse...

Este poema inspirou-me para escrever uma ode à minha próstata. É a brincar...

Hagarra disse...

Oh! Não percebo nada disto! Prefiro o William Butler Yeats. No entanto tenciono concorrer com o Óscar, escrevendo uma ode à minha uretra. Qual deles será um best seller?