domingo, 8 de fevereiro de 2009

Proposta

Gostava de propor que o Óscar começasse a pensar num passeio para os monamis e seus rebentos. Quem tem canons e nikons leva, quem não tem leva uma pressão de ar. Eu levo o vinho, já que o J. não é gajo para levar mais do que uma ou duas garrafas (iac, iac, iac - nunca gostei do lol).
Se não aceitarem e secundarem a proposta, ameaço postar à bruta durante todo a semana, mas com impropérios, vitupérios e outros despautérios dirigidos aos meus amigos. Balé?

Influência

Espero que tenham percebido a influência que tenho junto de S. Pedro. Também.

High-tech Bike

Considerando que alguns dos colaboradores deste blog, além dos interesses óbvios por fotografia, música, literatura, actualidade, etc, também são (ou foram) cicloturistas, hoje trago um modelo de uma "bicla" hightech, que não tem corrente, nem raios e que faz as nossas "esmaltinas" parecerem peças de museu...







sábado, 7 de fevereiro de 2009

Jane Monheit



Vale a pena conhecer melhor esta voz: Jane Monheit

Eutanásia: sim ou não?

Caso da Eluana Englaro (acho que é assim que se chama). Tem o tribunal razão ao permitir que se desligue a máquina que alimenta a jovem? Ou tem o governo, ao impedir a dita decisão? Gostava de ouvir as vossas doutas opiniões...

Polémica

No outro dia um tipo com responsabilidades públicas recusou dar uma entrevista a determinado jornalista de um jornal, aceitando, contudo, outro.

Pode?

Jorge de Sena, Camões dirige-se aos seus contemporâneos

Camões dirige-se aos seus contemporâneos


Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.


Jorge de Sena

Caranguejola, Mário de Sá-Carneiro

Caranguejola


Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P'ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p'ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

Noite sempre p'lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!...
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P'lo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P'ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P'ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.


Mário de Sá-Carneiro

O império da Super Bock


Ontem, enquanto folheava o jornal, tropecei numa notícia acerca da luta pelo domínio do mercado da cerveja no nosso país. Rapidamente divaguei para um tema afim:a identificação das pessoas com uma dada marca. No norte não se pede uma cerveja, pede-se uma SUPER BOCK. Beber uma Sagres constitui para muitos nortenhos uma espécie de sacrilégio, uma traição indesculpável! Não sei se o mesmo se passa no Sul relativamente à Sagres. Provavelmente o fenómeno não é tão notório, o regionalismo não é tão vincado.
Mas quem fala de cerveja, fala de computadores - a tribo dos Mac's, do Linux e dos PC's -, das câmaras fotográficas - canonistas versus nikonistas, para não falar da elite que só vê Leicas à frente -, ou dos automóveis - O BMW é melhor que o Audi ou, num outro nível, o Fiat é melhor que a Renault.
Dantes as pessoas abraçavam causas, ideais. Hoje abraçam-se marcas... sinais dos tempos!..

Uma questão de hábito...

Um tipo habitua-se a tudo. Já estou com saudade da chuva...

Pavarotti: Nessun Dorma

Ninguém cantou esta área como Pavarotti. Nessun Dorma tornou-se a imagem de marca do tenor. Muitas vezes assisti ao meu pai verdadeiramente comovido a assistir a este momento musical único. Partilho-o agora convosco.

Em memória do meu pai.

1982, Luciano, RAH, Torna a Surriento

1982: ainda antes de ter estragado a voz e a carreira, Pavarotti, sem micros para mais de 2000 pessoas no Royal Albert Hall.

Uma canção zangada...

Uma canção desesperada, zangada, pelo meio de fumos lsdélicos e outras trips nirvânicas. Só porque eu hoje estou zangado porque ontem - seus camelos - ninguém colocou nada de novo. Já aviso: hoje vou postar à bruta!!!!

Hoje fui ver "Vicky Cristina Barcelona"

Woody Allen é para mim (e para muitos!..) um realizador de culto, um argumentista genial e um não menos bom actor encarnando sempre aquele papel de pessoa desajeitada e neurótica, um verdadeiro pícaro dos nossos tempos.

Assisti religiosamente a todos os seus filmes da era do Annie Hall, Mannathan, Bananas, ABC do Amor, Zelig, Stardust Memories, A rosa Púrpura do Cairo, Hanna e as Suas irmãs,... e muitos outros que de repente não me vêm à memória. Depois, comecei a ficar saturado e deixei do o ver durante uns largos anos.
Recuperei o gosto pelos seus filmes com o Match Point. A partir daí não perdi mais nenhum.

Vicky Cristina Barcelona ficou, quanto a mim, uns furos abaixo desta última série de quatro. É claro que é uma história bem contada, tem uma excelente banda sonora (como não poderia deixar de ser!), boa fotografia, bons planos e excelentes interpretações. No entanto, desta vez Woody Allen não conseguiu deixar de fugir a uma série de clichés. O seu olhar sobre Espanha é superficial e mais próprio de um spot de divulgação turística. As personagens principais são um tanto previsíveis: temos o mito do macho latino, do artista excêntrico e sedutor, da mulher espanhola apaixonada e pronta a explodir a qualquer momento...
Das outras personagens também não surge nada de muito novo: duas amigas americanas que vão passar umas férias a Barcelona, uma mais convencional, com casamento marcado (e um futuro marido bem sucedido), e uma outra inconstante, sem saber que rumo dar à vida. É claro que a primeira se apaixona pelo galã espanhol e põe a sua relação em causa. Acaba no entanto por se acobardar e fugir de um destino mais incerto e tempestuoso (vulgar!). A outra amiga encarna o papel da eterna insatisfeita mantendo o registo até ao final do filme.

Resumindo e concluindo: foi um bom serão de 6ªfeira mas não passou disso.