sábado, 11 de outubro de 2008

Ave em voo


Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata), 1/10/2008

Dois poemas de Frost, profissão: génio

Robert Frost (1874–1963).

1. The Road Not Taken

TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


2. Nothing Gold Can Stay

Nature's first green is gold,
Her hardest hue to hold.
Her early leaf's a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay

Jörg Haider

Incomoda-me a ignorância mais que tudo.
Acho mesmo que ela é a mãe de todos os pecados. Mas o fanatismo, já provocou demasiados males por esse mundo fora, para ser ignorado. Nunca fui grande simpatizante da esquerda – bem pelo contrário – mas a direita extremista também não faz falta a esta nossa sociedade, já de si demasiado pródiga em violência mesmo sem a ajuda destes grupos acicatários da lei da força. Há dias li um artigo, na Visão, sobre Berlusconi e os vários atropelos à lei e às liberdades em Itália que o seu governo vai, paulatinamente, certeiramente implementando no coração da Europa. Todos temos e devemos continuar a ter bem presente, o que esta direita extremista fez da Europa e do mundo no século passado. E então ocorreu-me, com um arrepio de pavor, que por volta de 1940, Mussolini só precisava de encontrar um aliado forte na sua vizinhança para ganhar músculo. Consegui-o com a ascensão de Hitler ao poder, na Alemanha. Felizmente que hoje não corremos esse risco – pensei. A Alemanha parece para já, estar bem entregue à chanceler Merkel. Pois mas… e a Áustria? Não é lá que Jörg Haider também vai escalando a montanha russa da frágil e moldável vontade popular?
Eu sei que uma Áustria não tem o peso de uma Alemanha mas poderá ser desprezada? Muitos pequenos não ganharão a força de um grande? Há pequenas notícias/rumores de situações parecidas na Suiça, na Bélgica… E a Itália não é propriamente pequena ou fraca!
E esta crise económica e financeira também não vem ajudar. Não vai faltar quem se aproveite dela para nos tentar roubar mais uma quantas liberdadezinhas que não nos fazem falta nenhuma, em troca de um sistema mais perfeito. Não é o sistema que está errado. É a justiça que não é correcta porque não é democrata. É controlada pelo poder do dinheiro. Se um empresário honesto vai à falência, além de ficar desempregado sem direito a subsídio de desemprego, ainda tem de responder até onde puder com os seus bens para ressarcir dívidas. Mas um gestor de uma empresa S.A. é um assalariado. Não é um sócio. Quando muito será também ele, accionista da empresa. Por isso, quando as coisas correm mal, ele já tem uma excelente reforma, uma choruda indemnização e ainda recebe subsídio de desemprego…!!!
Mas, voltando ao tema que me levou a escrever, porque será que a Europa tem esta propensão genética para a extrema-direita? Já a América Latina e a África parecem cair com mais facilidade para a extrema-esquerda. Terá alguma coisa a ver com riqueza/pobreza? Com desenvolvimento/subdesenvolvimento? O comunismo apareceu ma Rússia numa altura em que o país atravessava bastantes dificuldades económicas, não? Estou enganado? Posso estar: História (memória) nunca foi o meu prato favorito.
Alguns homens morreram tarde (mas não demais), depois de terem cometido demasiados crimes horrendos. Alguns deles ainda vivem, uns impunes e tranquilamente milionários, outros fugidos, escondidos e idolatrados pela ignorância.
Pode ser que este tenha morrido cedo…antes de tudo isso… antes do horror… antes do idolatria… antes assim!
"Uma Escola sem muros"


No passado fim de semana tive o privilegio de assistir ao lançamento de mais uma publicação do nosso camarada e amigo "monami" Oscar. Foi uma honra estar presente num momento tão significativo da sua vida profissional(e não só). Com o patrocínio do Parque Biológico de Gaia e do seu respectivo Município, "Uma Escola sem muros" é sem dúvida uma publicação a ler por todos aqueles para quem a escola tem de ter algo mais a dizer do que avaliações, papeladas e outra coisas mais a que hoje estamos votados.
Tenho a certeza de que esta não será a última das suas publicações ( o de fotografia já todos nós estamos há espera), mas uma coisa eu sei; este já está na minha prateleira.
Parabéns Oscar.
PS: Desculpa a foto, mas não tinha mais hipóteses.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Andy Goldsworthy









Os meus preferidos   #1
Andy Goldsworthy, escultor inglês, 1956, conjuga vários aspectos, penso eu, muito queridos aos nossos "Monamis".
As suas esculturas podem ser consideradas como um "happening" ecológico.
A fragilidade das suas obras e dos seus materiais, sempre exteriores, condicionam todo o seu processo artístico.
Andy Goldsworthy entende que cada obra cresce, permanece e se desfaz.
A fotografia por ele utilizada para preservar as suas obras é apenas documental.















Árvore despida

11/11/2006

Encontro com Tony... o último romântico

Ao longo da vida todos temos encontros mais ou menos engraçados com personalidades famosas da rádio, televisão, disco, etc.

Vou contar um dos meus:
Em Angola não havia televisão (olha que pena) e por isso íamos ao cinema praticamente todos os dias ver fitas de coubóis, guerra ou karaté. De vez em quando lá aparecia um Música no Coração ou um português (ainda mais raro) e praticamente toda a gente se baldava.
Um dia, em 72 ou 73, estreou o filme «O Destino marca a Hora». A sala de cinema era ao ar livre e tinha apenas plateia com cadeiras e bancada de cimento (também tinha campo de futebol de salão entre a cabina e o ecrã). Entre as plateias estava a tribuna - nesse dia estava vazia porque como o filme era tuga tudo se baldou. Assim, mal as luzes se apagaram eu saí da Fila C, lugar 17, e fui sozinho para a tribuna reservada às autoridades. Era o rei.
Fiquei aterrado quando uns minutos após o início do filme (depois das novidades e desenhos animados) vi pelo canto do olho entrar alguém. Oh diabo, apanhado em flagrante na tribuna. E quem era a «autoridade»? Era nem mais nem menos que o protagonista da película e sentou-se - entre a dezena de lugares livres na tribuna -, logo ao meu lado. Era ele: o próprio, o grande Tony de Matos, o grande criador da música romântica: estava no celulóide lá à frente e na cadeira ao meu lado. Fiquei transido: firme e hirto tentei não olhar para o homem. Suava das mãos e respirava desordenadamente: e se ele falasse comigo?. Não falou durante a fita. No intervalo, deu-me uma palmada amigável na perna e perguntou-me: «Estás a gostar»? Balbuciei que sim (na verdade teria preferido o Sartana contra Gringo e assim como assim com o medo nem tinha percebido nada da trama). E ele: «O mais provável é não nos voltarmos a ver, porque eu regresso para a Metrópole, mas se nos virmos, não tenhas vergonha, podes vir falar comigo».
Claro que nunca mais me esqueci do evento mas também nunca mais me lembrei do homem.
No início da década de 90 era eu um valente fuzileiro investigador em Lisboa e numa demanda a casa de fim de semana, quem estava à minha frente na fila a comprar bilhete em Santa Apolónia para vir ao Porto (para uma revista qualquer marada no Sá da Bandeira), já muito velho e quebrado de tanto whisky, tabaco e noitadas.? O Grande Tony. Falei com ele e contei-lhe a história.
Achou piada.
Mas tive pena que não tivesse dito que se recordava perfeitamente daquele miúdo naquela noite num cinema de província em Angola nos idos de 70...

Ei-lo:

Publicidade enganosa




The Grey Album

The Grey Album = The white album (Beatles) + The black album (Jay-Z). Cópia? Criação?

Danger Mouse (Brian Burton) misturou os dois álbuns utilizando os instrumentais dos Beatles e as vocalizações do rapper americano. Sem ter os direitos de autor de nenhum dos artistas, Danger Mouse colocou o disco (em formato digital) a circular na Internet. A EMI, detentora dos direitos sobre a obra dos Beatles, pressionou fortemente no sentido do trabalho ser retirado da rede global. Esta situação veio pôr em causa os limites da criação musical. Será que misturar criações alheias num resultado diferente é algo novo ou apenas plágio? A controvérsia ainda agora começou...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Silje Nergaard live in concert at Paradiso - Main Hall

O concerto inteiro numa qualidade fabulosa! Para ver clicar aqui.
Pena é que o fabchannel.com não tenha celebrado protocolo com o Google blogger.com. Não é possível visualizar directamente os vídeos no nosso blog.
Site fa-bu-lo-so!!!
Só espero que os info-excluídos não desistam à primeira tentativa. Nem sabem o que perdem!...

2 poemas da minha vida (para amaciar o Óscar)

Não é com o Óscar, é o Óscar e agora cá estão os poemas, não era um trompe l'oeil

Natália Correia
(Fajã de Baixo, S. Miguel, Açores, 1923-1993)

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.


David Mourão-Ferreira
(Lisboa, 1927-1996)

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

Viagra e Diário de Notícias

Consta que o Viagra quer patrocinar o Diário de Notícias.
O slogan da campanha já está escolhido...

Não dê uma... DN

Palpite para o Nobel da Literatura

O meu palpite para o Nobel da Literatura vai para: (por esta ordem)

1.Alvaro Mutis
2.Claudio Magris
3.Joyce Carol Oates

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ah, ganda intelectual

Outra das minhas embirrações e não estou sozinho, é este intelectual, dirigente da Fenprof, sem qualquer dúvida a instituição que mais contribuiu para que o ensino chegasse ao ponto em que está.
Vejam este Sartre a perorar. E o pormenor da bandeira com o cantinho cambado? e a forma como ele afaga carinhosamente 3 (três canetas três) enquanto disserta sobre o que Sócrates disse. Mas, quê?, precisamos de tradutor, não percebemos Português?

São estes tipos que atrasam indefinidamente Portugal. Reparem: tem uma tacho que é entravar o relacionamento entre a tutela e os professores, que jura defender. Mas como se nunca deu aulas? E está afastado de qualquer estabelecimento de ensino.

São estas cavernosas e artríticas invenções completamente ultrapassadas como os sindicatos de professores que marcam o País para os próximos séculos. E têm logo estas luminárias à frente.

Reparem bem no que este inteligente diz hoje nos jornais: a convocação de uma grande manifestação de rua já durante este período de aulas tem como objectivo impedir que os «professores morram asfixiados nas escolas».

Asfixiados?





Oscar, Al, Tullius vocês estão asfixiados? Tadinhos... Falem comigo que eu faço-vos uma respiração boca-a-boca na Casa Matos...

Lisboa em essência


Lisboa, 2007